Artigo

Rio Grande do Sul sem serviços ou infraestrutura

Escrito por

Luiz Philippe de Orleans e Bragança

As inundações no Sul atingiram uma dimensão única em sua história, mas desastres gigantescos podem ocorrer em qualquer lugar no Brasil, como em Brumadinho, em Minas; ou em  Petrópolis, no Rio. A ineficácia no atendimento seria a mesma. É revoltante ver a situação se repetir sem nenhum aprendizado. Os governos continuam sem estrutura para atender demandas de qualquer natureza , seja de enchentes, incêndios, ciclones e até mesmo raios. Devemos dar Graças a Deus por não termos vulcões em atividade.

Por coincidência, o ministro da Defesa esteve na Câmara dos Deputados recentemente para divulgar as ações sociais das Forças Armadas e pedir mais dinheiro. Ora, todos os ministérios fazem a mesma coisa: ação social, e quando a população precisa, esta não funciona, porque não há estrutura de portos, aeroportos, estradas ou segurança, apenas assistencialismo e demandas sociais.

Por mais que tenham de fato terem salvado vidas, a percepção geral em relação às FFAA foi de baixa efetividade. Adicionalmente, a burocracia limita a ação de indivíduos e comunidades locais no auxílio às vítimas, que têm dificuldade de receber as doações ou resgate. 

O Rio Grande do Sul possui terra vasta, rica, população qualificada e um dos maiores IDHs da América Latina. Porém, por mais que seja produtivo, o estado social faz os recursos do estado e da federação serem alocados em benefícios sociais sem nenhuma contrapartida, apenas para coagir eleitores. 

Se a prioridade orçamentária fosse em Defesa e Infraestrutura, os investimentos seriam na criação de rodovias, aeroportos, ferrovias, portos;  fomento à indústria de base, veículos de transporte; e tecnologia de armamento, serviços de alerta, de emergência e de defesa.  

Impostos gerados nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm ido para o Norte/ Nordeste, que pouco contribuem e em alguns casos recebem até o DOBRO em recursos federais que geram.  O povo do Rio Grande do Sul pagou em tributos federais o valor de R$57,4 bilhões para o poder central de Brasília, e recebeu de volta somente R$13,3 bilhões.  Uma inversão de valores que em nada contribui para o desenvolvimento de  nenhuma região do país.

Brasília tem servido como distribuidor de renda de estados ricos para estados geridos por políticos corruptos e ineficientes, “companheiros” em regiões dominadas por esquemas e oligarquias. A população do Norte/Nordeste não vê esses recursos.  Caso as centenas de bilhões de recursos federais tivessem chegado, haveria  um IDH muito mais elevado do que tem hoje. 

Se não aprendermos com a tragédia, ela fica maior ainda,  e o Rio Grande do Sul ensinou ao Brasil três preciosas lições: a burocracia mata, não se deve contar com o poder público e o povo gaúcho sempre sairá dessa tragédia mais forte do que já é.

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