O sonho e a nossa realidade: limitadores geopolíticos e o Brasil do futuro

Os problemas do Brasil podem ser resolvidos através de uma profunda reorganização das instituições públicas e liberalizando e diversificando a economia brasileira. Todas essas medidas são factíveis e estão ao nosso alcance, dependendo apenas da decisão de nossos políticos. Explico isso em detalhes no meu livro. Mas no meu livro não falo de geopolítica.

Temos diversas vantagens geopolíticas. Analisando o Brasil sob o prisma dos três pilares fundamentais que constituem uma economia independente (Força de Trabalho, Terra e Capital) estamos bem em dois quesitos e mal em um deles. O Brasil possui um vasto território, repleto de recursos naturais e mão de obra capaz de colocar o país de pé em curto espaço de tempo. O Capital é que está sendo mal empregado.

É aí que precisamos considerar nossos limitadores geopolíticos. Eles não existem em função de nossas escolhas e sim em função de nossa natureza. Por exemplo:

  1. Temos um desafio de criar e manter uma infraestrutura integrada
  2. Sofremos com o Distanciamento geográfico dos maiores mercados desenvolvidos
  3. Sofremos perdas e riscos por não exercer proteção e controle do nosso território de maneira efetiva.

Esses três componentes têm colocado o Brasil em desvantagem no cenário internacional. Com investimentos certos conseguimos reduzir a relevância desses eternos problemas naturais.

Mas, ao invés de corrigir ou contornar esses limitadores, as decisões políticas gastam tempo e recurso em outras áreas. A consequência vem sendo sentida há tempos, pois estamos ficando para trás internacionalmente.

Como se sabe no mercado corporativo, quem não investe em pesquisa e desenvolvimento gasta com licenciamento de patentes. Isso também acontece com países. O custo de “reatualização” de uma economia cresce anualmente. Quando um país não é autônomo em uma questão, ele torna-se influenciável por agentes políticos e financiadores externos. O custo disso é maior ainda.

Esses limitadores geopolíticos não são uma mácula apenas de países subdesenvolvidos. Algumas nações desenvolvidas encaram cenários muito mais adversos que o nosso como é o caso do Japão, que é uma ilha com poucos recursos naturais, ou o Canadá que tem mais da metade de seu território permanentemente congelado pelo inverno. Temos também o caso da Alemanha seu parco acesso ao mar. A lista continua, já que problemas e adversidades são fenômenos extremamente democráticos.

Cidade de Frankfurt, na Alemanha, totalmente destruída durante a Segunda Guerra Mundial.

Não estou falando de um processo de longo prazo. Quando uma administração séria decide transformar seu país de forma real, é possível atingir resultados impressionantes em curtíssimo prazo, para os parâmetros de uma nação, que é algo perene. Dubai, parte dos Emirados Árabes Unidos, e Singapura, na Ásia, são provas de que a evolução e a superação de limitadores geopolíticos são possíveis.

Milenar, Dubai juntou-se a outros emirados, como Abu Dhabi, na formação dos Emirados Árabes Unidos em 1971. O petróleo tinha sido descoberto na região em 1966. Em 1979, o porto de Jebel Ali e o Dubai World Trade Center foram inaugurados. Em pouco menos de 50 anos o país deixou de ser uma zona semidesértica para se tornar referência mundial. Primeiro com uma economia baseada em comércio, depois na extração do petróleo e agora com serviços, Dubai usou a riqueza dos combustíveis fósseis para modernizar e preparar uma economia para o futuro. Vejam as fotos comparando Dubai em 1960 e 2017. Imaginem esse efeito transformador no Brasil. É claro que Dubai e Abu Dhabi são cidades e não países, mas a transformação sofrida nessas cidades é um claro demonstrador que o desenvolvimento é possível.

A diferença entre esses países desenvolvidos e os países terceiro mundistas é o sonho da liderança internacional, e a consciência e o foco na necessidade do combate permanente de seus limitadores geopolíticos. É direcionando investimentos para o lugar certo e da forma correta que esses países desenvolvidos se mantêm relevantes economicamente, fortes estrategicamente e soberanos politicamente. Em suma com boas instituições públicas e bons investimentos estratégicos maximizamos nossas virtudes e minimizamos nossas deficiências.

O curioso é que a consciência disso é amplamente defendida pelas sociedades dos países desenvolvidos. Ninguém atinge seu ápice civilizacional sem querer. Tem de se querer ser desenvolvido, e muito!

Imaginem agora o Brasil. Além de uma potência agrícola, nos tornarmos também uma referência industrial e de prestação de serviços, exportando produtos e ideias de alto valor agregado mundo afora. Pensem em um Brasil totalmente integrado com aeroportos, rodovias, ferrovias, portos e rios planejados e sustentáveis de norte a sul. Todos esses equipamentos de primeiríssima qualidade e eficiência, encurtando tempo e custo na relação produtores/consumidores, tanto internos quanto externos. Imagine as centenas de cidades ricas e superdesenvolvidas que brotariam dentro de nosso território em decorrência disso. Imagine que você mora em um país soberano e seguro, capaz de proteger as suas propriedades, suas riquezas, e seus cidadãos consumidores e a alta qualidade de vida que sabemos que podemos atingir.

Brasil do futuro. Fonte: IstoÉ!

Essa imagem, e muito mais, é o que deve permear nossa sociedade e nossos futuros representantes políticos. Os políticos eleitos atualmente, e não somente os que estão em Brasília, não têm essa visão, e muitos visionam exatamente o contrário. É esse tipo de representante político arcaico que tivemos todo ao longo do século 20, salvo raras exceções. Nossos políticos preferem usar recursos para obter ganhos políticos, não para melhorar infraestrutura ou reforçar nossas instituições. Com esses políticos arcaicos não se faz investimento nem planejamento estratégico.

É aqui que você e eu entramos. Embora o Estado brasileiro tente controlar tudo, o sonho por uma pátria líder e soberana ainda não foi regulamentado. Esse sonho político não tributado criará a consciência da necessidade do combate incessante, não só dos nossos limitadores geopolíticos, mas também dos políticos arcaicos ou mal-intencionados que insistem em impedir que isso vire realidade.

8 comentários em “O sonho e a nossa realidade: limitadores geopolíticos e o Brasil do futuro

  1. Walter Rodrigues 13 de novembro de 2017 em 12:32 - Responder

    O grande problema é que as nossas oligarquias políticas e econômicas dificilmente serão removidas do poder através do voto. Não há exemplo histórico em que um grupo tão poderoso tenha aceitado sair de cena por meio de eleições. Nossos sistemas político e eleitoral ( com presidencialismo, federalismo anêmico, reeleição, fundo eleitoral bilionário, distorções na representação, partidos fisiológicos, etc) tendem a garantir a perpetuação, no poder, das mesmas elites de sempre. A grande mídia está a serviço de interesses corporativos, e trabalha ativamente para eleger seus candidatos. Os políticos alinhados com o governo contam com o apoio da máquina burocrática, que movimenta um orçamento de valor estratosférico. Os de oposição encontram forte respaldo nos sindicatos, ONG’s, movimentos sociais organizados, universidades, etc. Esta muralha poderá ser transposta por candidatos independentes, apoiados pelas mídias alternativas e por alguns poucos institutos que propagam o pensamento liberal? Acho muito difícil, pelo menos no curto prazo. Mesmo que um liberal vença a eleição para presidente em 2018, e que o parlamento mude significativamente sua orientação ideológica, ainda assim qualquer avanço significativo dependeria de se conseguir modificar o enorme emaranhado de leis, decretos, portarias, etc que travam o progresso deste país. Estou falando de milhares de leis e outras normas menores que deveriam ser modificadas ou revistas, e isto pode demorar algo como 20 ou 30 anos, no mínimo, principalmente se pensarmos na necessidade de uma nova constituição, o que, na minha opinião, é fundamental. Talvez, infelizmente, algum tipo de ruptura institucional seja necessária.

    • Marco 14 de novembro de 2017 em 12:38 - Responder

      Isso aí!

  2. Elton Xavier 13 de novembro de 2017 em 12:32 - Responder

    A manutenção de representantes que objetivam tão somente a continuidade e refinamento de suas oligarquias é que impede o desenvolvimento de nosso Brasil, conforme proposto neste artigo.
    Não se trata em elegermos “novos nomes” (lobos disfarçados de cordeiros) , mas de substituir os conceitos que administram o poder por décadas e décadas e consequentemente o modus operandis

  3. Analuiza 13 de novembro de 2017 em 15:12 - Responder

    Numa monarquia absolutista, se o soberano resolve desenvolver sua nação não tem de pedir pra ninguém, ele resolve tudo. É bem fácil assim. Os melhores exemplos de desenvolvimento estão nos países asiáticos como Singapura, Hong Kong e Japão que com o liberalismo econômico conseguiram se elevar aos melhores e mais desenvolvidos países do mundo. Temos muito pela frente, mudanças de mentalidade da população e limpeza no congresso, sem isso não teremos um futuro tão bom assim.

  4. Maria da Glória 13 de novembro de 2017 em 15:47 - Responder

    O Brasil tem que voltar as suas origens, temos que nos livrar da República e nesses políticos sanguesungas que só pensam no próprio umbigo. Para o Brasil mudar o povo precisa mudar a maneira de pensar e agir.O Povo precisa sair da passividade, da mediocridade…o Brasil depende de nós.

  5. Neusa Andrade 13 de novembro de 2017 em 16:38 - Responder

    O problema do Brasil é de mentalidade. Essa ideia precisa `alastrar-se` para torná-la possível. Alguém tem alguma sugestão de como fazê-lo?

  6. Aura Celeste Azevedo 14 de novembro de 2017 em 09:47 - Responder

    Gostaria de escrever mais sobre seu texto mas 1o percebo que nosso maior obstáculo é a classe governante e a maioria falante.
    Ela é composta por indivíduos que não tem como propósito de vida realizar conquistas para seu país.
    Que não pensam em deixar um legado para humanidade, mas apenas acumular riqueza e poder.
    São mentes pequenas e incultas, por limitações auto impostas, que conseguem apenas ver o mundo dentro de suas bolhas artificiais, de seu mundo pessoal e privilegiado.
    A única preocupação é manter o poder pessoal e o legado material de suas famílias.
    Por que o Brasil tem capital natural e eles podem dispor deles ao seu bel prazer.
    Mentes medíocres levam a governos medíocres, onde sufocar a população torna-se vital para suas existências.
    A mediocridade só “constrói ” retrocesso e atraso. Nada de bom sairá disto.
    Será uma sequência de destruições, uma atrás da outra.
    Por isto, torna-se urgente , que pessoas comprometidas com um ideal maior,assim como o senhor, capacitadas e que estão a margem do governo assumam a missão moral de ocupar esses espaços.
    Precisam assumir seu papel de agentes transformadores.
    Assim também, todos nós que enxergamos tais questões, com mais ou menos profundidade, temos a obrigação moral de melhorar nossa capacitação intelectual, e levar a verdadeira liberdade aos demais, que é o conhecimento.
    Só mudando nossa estrutura e a qualidade do capital humano teremos condições de superar as demais questões limitadoras e colocar todas as nossas vantagens em favor da construção de um país pujante.
    Sob pena, se assim não for, de sermos subjugados por variáveis externas.
    Por que todos os povos fracos ou em condições desfavoráveis são subjugados pelos mais fortes, mais cedo ou mais tarde.
    O trabalho é de todos nós.
    Mas, precisamos de lideranças e não de um salvador da pátria.
    O Bolsonaro se apresentou diante do apelo popular. Com humildade e coragem está enfrentando toda sorte de dificuldades.
    Precisamos de mais pessoas com projeção nacional para se juntar a ele e aos brasileiros que lutam suas pequenas batalhas por essa mudança.
    Todos temos que fazer a nossa parte, cada um na sua esfera, para rompermos a barreira do atraso que nos encontramos.
    Parabéns por sua luta.
    Prossiga com a mesma pujança que seu país tem e a coragem que a nação precisa.

  7. Renata Barreto 6 de dezembro de 2017 em 23:33 - Responder

    Concordo com o primeiro comentário: essa corja política que aí está, apoiada pelas oligarquias dominantes no país, não deixará o poder tão fácil. É preciso uma ruptura institucional. Por outro lado, o povo, quem poderia promover isso, está apático, anestesiado. A classe média, cada vez mais achatada, encontra-se refém da violência crescente e alardeada pela mídia a cada dia; e a maior parte da população, por conta da péssima educação pública, é analfabeta funcional, incapaz de refletir sobre si mesma e sobre a sua condição, incapaz de pensar um país. Levariam décadas, sendo otimista, até que conseguíssemos mudar esse quadro via convencimento e esclarecimento como um trabalho de formiguinha. Sinceramente, por essa via, não vejo nem a geração dos meus filhos, que ainda não nasceram, vendo alguma mudança…. porém isso não significa que não devemos começar! E já!

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