A lição da guerra de 1812 entre EUA e Inglaterra para o Brasil

Embora 1812 seja um ano com pouco destaque na historia do Brasil, ele foi um ano importantíssimo na política internacional, tendo afetado o futuro do Brasil como nação. Independente da Inglaterra desde o fim da guerra revolucionária, que terminou em 1783, os Estados Unidos ainda se formava como nação quando uma disputa comercial entre os dois países foi levada às ultimas consequências na Guerra de 1812. Foram necessários três anos de conflitos para a questão ser resolvida. Os brasileiros, que observaram todo esse capítulo, aprenderam lições importantíssimas na construção de uma nação livre. Porém, todo o aprendizado parece ter sido esquecido e, pela nossa liberdade, eu as resgato aqui.

O Contexto histórico da guerra de 1812

Quase 30 anos após a independência, os EUA ainda engatinhavam como nação, ao passo que a Inglaterra gozava de ampla dominância política, comercial e bélica. Embora ainda travasse uma guerra contra a França de Napoleão, os ingleses tinham controle sobre suas colônias.

Como de praxe para a maior potência da época, a Inglaterra impunha sua hegemonia quando e aonde queria sem muitos empecilhos, até mesmo sobre os EUA, recém-independentes. Os ingleses navegavam livremente nos mares e rios dos EUA, sequestravam marinheiros americanos e impunham crescentes limites ao livre comércio entre os Estados Unidos e a França.

Do outro lado da balança, os americanos sustentavam precariamente um exército miliciano amador e mal organizado, supridos e protegidos por uma marinha sem qualquer expressão. Os americanos, por mais otimistas e crentes em conto de fadas que pudessem ser, eram totalmente incapazes de enfrentar os ingleses de igual para igual. Embora derrotados na Guerra de Independência, os ingleses se mantiveram como os mestres dos mares e profissionais da arte da guerra. Impunham sua vontade a revelia do que os EUA, independente, desejassem. O palco estava armado.

A relação entre os dois países seguia degringolando até que o presidente americano, James Madison, um dos redatores da constituição norte-americana, decidiu por um basta. Era hora de acabar com as violações de soberania. A submissão dos EUA tinha que terminar. Madison julgou, precipitadamente, que poderia ter sucesso rápido e fácil, já que os ingleses travavam uma guerra na Europa contra Napoleão. Aproveitando do contexto em que a Inglaterra se encontrava, Madison enviou uma carta ao congresso pedindo guerra, e o congresso formado em sua maioria por representantes nascidos após a guerra de independência aceitou o pedido com entusiasmo.

A guerra de 1812 entre Estados Unidos e Inglaterra

Os americanos iniciaram o conflito com ofensivas por terra, atacando os territórios ingleses no Canadá e no centro do continente do que é hoje os Estados Unidos. Foi um fiasco. Os milicianos americanos, apesar de seu maior numero, não estavam organizados para enfrentar nem mesmo pequenas guarnições inglesas e indígenas. Um exemplo disso foi a Batalha da Fazenda Crysler, onde 900 soldados e voluntários canadenses e ingleses enfrentaram e derrotaram 4.000 soldados americanos em combate, sendo que os Estados Unidos tinham, nesta batalha, outros 5.000 soldados na retaguarda.

Batalha entre Estados Unidos e Inglaterra pelo controle do rio St Lawrence
A batalha da Fazenda Crysler (The Battle of Crysler’s Farm)

Os ingleses retaliaram de forma inteligente. Sem tropas para um ataque terrestre optaram pela defensiva e pela parceria com as tribos indígenas para que estes engrossassem a resistência. No mar, no entanto, foram mais enérgicos. Decretaram embargo completo do comércio marítimo dos Estados Unidos, arruinando a economia americana em pouco tempo. A vitória sobre Napoleão em 1814 ajudou acelerar as coisas e os ingleses destacaram suas divisões mais experientes para o front dos EUA. O pior estava por vir.

De forma calculada e muito bem planejada, os ingleses mandaram uma pequena guarnição desembarcar próxima à cidade de Washington e arrasá-la por completo. James Madison e sua mulher, apanhados de surpresa, fugiram com a roupa do corpo e alguns pertences pouco antes da chegada do inimigo. A casa do presidente da república dos EUA, um dos lugares mais protegidos e vigiados no mundo de hoje, foi incendiado por tropas inglesas, algo que poucos sabem. Como era de se esperar, os soldados ingleses vandalizarem todo o recinto e levaram inúmeros pertences pessoais do Madison antes de atear fogo no prédio.

Impedidos de avançar no campo de batalha, os americanos perceberam que corriam sérios riscos de se tornarem uma colônia inglesa mais uma vez. Mas, desse prognóstico tétrico veio a reação. Os americanos organizaram e mobilizaram defesas e táticas mais eficientes, e tiveram sucesso em impedir planos para uma nova invasão inglesa. No mar, os poucos barcos da marinha americana foram usados com maestria, freando a marinha inglesa em pontos chave. O que o jovem, Estados Unidos da América, aprendeu era que não conseguiria ganhar a guerra que ele mesmo decretara, mas que certamente ainda era capaz de se defender com o pouco que tinha.

Ilustração da batalha que inspirou o hino americano, The Star Spangled Banner.

A guerra terminou em 1815 com um impasse. Politicamente ninguém ganhou, mas estrategicamente os EUA sofreram um retrocesso, pois se permaneceram incapazes de exercer sua soberania frente a um poder maior que resolvesse exercer a dele. Para piorar a questão, os americanos terminaram o conflito ainda mais endividados e dependentes economicamente da Inglaterra do que em 1812.

Os EUA dominante, livre e soberano que conhecemos hoje, surgiu somente com o final da Segunda Guerra Mundial.

Por que isso foi relevante para o Brasil independente?

Nossos observadores à época acompanharam com interesse esse evento. Nossa independência foi declarada sete anos depois do final desse conflito. Uma das primeiras medidas do Brasil independente foi a criação da Marinha Imperial, pois a organização de uma defesa profissional permanente era essencial para garantir nossa soberania nos mares e rios, tanto contra Portugal quanto outros países interessados nos nosso território e recursos.

Um dos exemplos de quando isso foi necessário ocorreu em 1862, quando os ingleses tentaram violar a soberania brasileira no que ficou conhecido como a Questão Christie. Ao invés de aceitar a vontade inglesa, tida como absoluta, Dom Pedro II decretou o reforço das já formadas forças armadas do Brasil e ordenou o bombardeio de qualquer navio inglês que tentasse abordar embarcações mercantes brasileiros. O resultado? O embaixador britânico Edward Thornton se desculpou publicamente em nome da Rainha Vitória, uma tremenda vitória diplomática internacional.

Armada Imperial em 1860.

Segundo foi a organização de Estado do Brasil. Desde a independência em 1822 até nossa primeira constituição, em 1824, a Coroa realizou uma série de debates sobre como deveríamos organizar nosso país. Dois grupos conduziam o debate, os que queriam descentralizar a política e os que queriam um poder central unificador, responsável pela proteção de todo território nacional. A Guerra de 1812 serviu como baliza e os unificadores ganharam, o que foi essencial para que o Brasil sobrevivesse intacto ao que estava por vir no século XIX, como os conflitos com Argentina e Paraguai, por exemplo. Apesar de que hoje temos que decentralizar o poder político, na época a decisão pela centralização foi providente.

Terceiro foi limitar a dependência econômica da ex-metrópole. Os Estados Unidos da América foram os primeiros a reconhecer o Brasil como país soberano e independente e logo se transformou num dos maiores parceiros comerciais, assim como a Inglaterra. Portugal, por sua vez, foi perdendo lentamente suas amarras com a antiga colônia e deixou de ser a influencia econômica dominante em poucas décadas.

De modo universal, esse episódio foi uma grande lição política para países recém-independentes. Estava ali, gravado a ferro e fogo, a prova de que preservar a liberdade, território e interesses políticos e comerciais é parte integrante do exercício de soberania. E, para isso, é preciso força bélica organizada profissionalmente e bem mantida, sempre. A falta de prioridade para com nossas forças armadas e forças de segurança demonstra o nítido intento de agir na contramão dos aprendizados que garantem nossas liberdades e o exercício de nossa soberania. Agora você quem sabe, compartilhe.

59 comentários em “A lição da guerra de 1812 entre EUA e Inglaterra para o Brasil

  1. Alex Visses 3 de outubro de 2017 em 19:49 - Responder

    Tudo J.: e P.:?
    Brilhante texto L. P. Bragança.
    Brilhante também sua apresentação na Jornada Maçônica SP 2017!

  2. Tereza da Luz Rodrigues 3 de outubro de 2017 em 20:15 - Responder

    Magnífico artigo exposto com muita clareza e sabedoria
    O Brasil necessita muito de conhecimento. Obrigada

  3. conceição martins moraes 3 de outubro de 2017 em 20:47 - Responder

    Excelente matéria, concordo plenamente e muito me assusta a situação do Brasil. Não se vê mais o Brasil soberano e sim nas mãos de vendilhões. A propósito, muito boa aula de história.

  4. Virginia Deodato 3 de outubro de 2017 em 21:01 - Responder

    Orgulho de saber como se manteve a soberania de nosso País.

  5. José Wilson Pereira de Carvalho Neto 3 de outubro de 2017 em 22:39 - Responder

    Excelente. Tornemos o Brasil grande, unido e forte novamente !

  6. Evaldo Araújo 3 de outubro de 2017 em 22:56 - Responder

    Ótima texto! A minha percepção é que a república nunca se importou com o Brasil, o pois é governado sem nenhum projeto de futuro, para o crescimento da nação. Não adianta esperá nada desses políticos, não existe interesse em projeto que torne o Brasil em uma grande nação desenvolvida a qual tem potencial. É preciso retomar definitivamente o Brasil para os Brasileiros antes que seja tarde. Espero que o brasileiro acorde e perceba o que é preciso fazer para sair dessa!

  7. Edilson Interlandi da Costa 3 de outubro de 2017 em 23:55 - Responder

    Trabalho na Marinha do Brasil à 33 anos como engenheiro (sou funcionário civil). Especificamente no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Criado em 29 de dezembro de 1763 pelo Vice-rei Antônio Álvares da Cunha, 1° conde da Cunha, o Arsenal de Marinha é a segunda instituição brasileira mais antiga em funcionamento até hoje. Só perde para a Casa da Moeda (1694). Sei o que representa e o quanto é importante as Forças Armadas para um país em termos de soberania e defesa. No entanto os governos socialistas desde 1985 propositalmente vem desaparelhando continuamente nossas Forças Armadas a um ponto atual “inaceitável”. Considero que estamos vulneráveis quanto à soberania e defesa de nosso território. Deixo abaixo um link para um vídeo que demonstra com muita propriedade a situação de nossa Marinha.
    https://youtu.be/UNlsO6NcC6c
    Um grande abraço
    Edilson Interlandi da Costa

  8. Urbano Medeiros 4 de outubro de 2017 em 01:01 - Responder

    Parabéns pela ótima aula de história

    • Alexandre Kolling Lins 13 de outubro de 2017 em 13:09 - Responder

      Não foi intencionado ser uma aula de História, mas sim um forte “ALERTA”…!!!

  9. Fereydoun Rostam 4 de outubro de 2017 em 11:18 - Responder

    Excelente artigo. Somente chamo atenção para uma frase que você escreveu, Luiz: “A falta de prioridade para com nossas forças armadas e forças de segurança, demonstra o nítido intento de agir na contramão dos aprendizados que garantem nossas liberdades e o exercício de nossa soberania.” Eu vi um vídeo seu, no YouTube, uma palestra, na qual havia um slide que se referia aos militares como algo de quem “não podemos nos livrar”. Ficou uma impressão, para mim, de que seria melhor, se pudéssemos nos livrar dos militares, porque eles são um tipo de “mal necessário” e nada mais… Compreendo que eles já cometeram grandes erros, no passado, mas os militares brasileiros já provaram ter alto nivel de profissionalismo, patriotismo, integridade, inteligência e paciência. Mas fico feliz em ver você reconhecendo aqui que as Forças Armadas merecem prioridade em termos de investimento, já que têm importância capital na manutenção de nossa soberania e ordem interna.

    • Luiz Philippe de Orleans e Bragança 4 de outubro de 2017 em 11:29 - Responder

      Oi Fereydoun. Quando falei que era algo que não podíamos nos livrar estava me referindo ao que os governos recentes tentaram fazer, que é sufocar nossos militares até o desaparecimento. As forças armadas são aparato necessário e prioritário para a soberania de qualquer país. Abs!

  10. Cesar 4 de outubro de 2017 em 11:28 - Responder

    Enquanto a América vive o sonho…………nós vivemos o pesadelo……

  11. Rosenval Moreira de Sordi 4 de outubro de 2017 em 12:11 - Responder

    Sou terapeuta e vejo isto com esta visão. Assim como na terapia a história dos antepassados são fatos importantes para a vida atual, também é importante a nossa história de nação, a história verdadeira. Infelizmente os anos pós direção militar, destruiu a história verdadeira e sucateou nossas forças armadas. Precisamos recuperar a história e a capacidade de nossas forças armadas.

  12. Pimenta 4 de outubro de 2017 em 12:11 - Responder

    Prefeito.
    O problema é que, hoje, o mundo – e nossos políticos, a maior parte, esquerdistas – não querem nossas liberdades nem nossa soberania.

  13. Ricardo SC 4 de outubro de 2017 em 12:16 - Responder

    O texto contém informações históricas relevantes, juntamente com uma análise política e estratégico-militar precisa. Carece, entretanto, de revisão apurada, a fim de resolver problemas gramaticais que diminuem seu brilho na tarefa de despertar engrandecimento cultural em nosso povo.

  14. marco silva 4 de outubro de 2017 em 12:19 - Responder

    Excelente. Fui formado na Marinha do Brasil: Escola e Colégio Naval. Bem isso q foi dito.

  15. Rangel Duarte 4 de outubro de 2017 em 12:22 - Responder

    Excelente!

  16. Túlio Coelho Sampaio 4 de outubro de 2017 em 12:25 - Responder

    Texto excelente, Luiz.

  17. Célio Mesquita de Souza e Silva 4 de outubro de 2017 em 12:35 - Responder

    Uma bela e útil lição de história. Com fatos que a maioria dos brasileiros desconhece. Infelizmente a desastrosa administração do PT (leia-se Lula e Dima) dá a impressão que queria “acabar”com nossas fôrças armadas… Está mais do que na hora de arranjar verbas para as gloriosas e patrióticas fôrças armadas se equiparem.

  18. Sandra Aparecida 4 de outubro de 2017 em 13:18 - Responder

    Interessante a roda do tempo, ela gira, gira e retorna os mesmos temas em épocas diferentes.

  19. João Paulo De Oliveira Neto 4 de outubro de 2017 em 14:07 - Responder

    Acompanho o seu trabalho que, sem me catequizar, acrescenta subsídios para começar a repensar sobre a possibilidade de uma monarquia no Brasil, por que não? Um regime monárquico parlamentarista poderia ser uma saída. Mudança radical no modo de ver a política… alguma coisa tem de ser feita, a republica, sempre mostrada como a “salvação da pátria”, ainda não se mostrou capaz de dirigir esse país, ainda jovem e inexperiente.

  20. Nanci Baccelli 4 de outubro de 2017 em 14:09 - Responder

    Bastante esclarecedor esse texto! Nem na minha época de estudante havia algo sobre os Estados Unidos! D. Pedro II foi brilhante! Eu sou Monarquista desde sempre!

  21. Antonio Carlos S bERNARDINO 4 de outubro de 2017 em 15:16 - Responder

    Excelente !

  22. Fernando Lins 4 de outubro de 2017 em 15:18 - Responder

    “Mal organizado” é com “L,” por ser o contrário de “bem.”

    • Luiz Philippe de Orleans e Bragança 4 de outubro de 2017 em 16:59 - Responder

      Comi bola na digitação. Já corrigido! Obrigado! Abs

  23. Alexandre Medeiros Pereira de Sá 4 de outubro de 2017 em 15:45 - Responder

    Muito bom o artigo e nos faz resgatar o orgulho de ser Brasileiro. Sentimento do qual esses comunistas tentam retirar do povo. Continue com esse excelente trabalho e já estou ansioso para ler seu livro.

  24. Joel de Andrade Filho 4 de outubro de 2017 em 16:47 - Responder

    Esse texto deveria ser leitura obrigatória para todos os presidentes brasileiros no dia da posse. Viu Dilma !

  25. Wilson Roberto Brigaqda Da Silva.´. 4 de outubro de 2017 em 17:08 - Responder

    … Isto posto, penso que os nossos governantes, aqueles que deveriam ser nossos representantes legais, estão sucateando as nossas Defesas Bélicas, para que interesses escusos as vontades populares, dominem o nosso País…(…)…etc…

    – Enriquecem no Brasil e depois de o País ser sucateado, vão viver bem confortável em outro País, com as riquezas que foram negociadas “as escondidas” tiradas dos tiranos acordos, daqui…etc…

    Wilson.Brigada
    Cientista Social
    – Psicanalista.

  26. Wilson Roberto Da Silva.´. 4 de outubro de 2017 em 17:09 - Responder

    … Isto posto, penso que os nossos governantes, aqueles que deveriam ser nossos representantes legais, estão sucateando as nossas Defesas Bélicas, para que interesses escusos as vontades populares, dominem o nosso País…(…)…etc…

    – Enriquecem no Brasil e depois de o País ser sucateado, vão viver bem confortável em outro País, com as riquezas que foram negociadas “as escondidas” tiradas dos tiranos acordos, daqui…etc…

    Wilson.Brigada
    Cientista Social
    – Psicanalista.

  27. Alexandre Andrade de Albuquerque 4 de outubro de 2017 em 20:26 - Responder

    Excelente artigo que nos dá a exata visão histórica daquele evento e de fato nos ensina e também nos alerta ! Seu estilo de escrever é fascinante, fluídico e lê-se com prazer ! Sei que não publicou para receber elogios, mas parabéns ! Deveria ser leitura obrigatória aos mais jovens !

  28. Edson Claro 5 de outubro de 2017 em 00:46 - Responder

    Perfeito

  29. Lauro Altmann 5 de outubro de 2017 em 04:13 - Responder

    Muito instrutivo o texto. Isto não era do meu conhecimento tão detalhado. Isto afetou posteriormente os meus antecedentes na Alemanha, pois parte deles emigrou para os EUA/Ohio, e outra parte posteriormente entre1860 a 1870
    Interessante a influência da Guerra do 30 anos na Europa, bem como as atividades de Napoleão na Europa

  30. Oswaldo Ramos 5 de outubro de 2017 em 12:10 - Responder

    Tudo bem que as forças armadas tenham de estar sempre preparadas para o pior, sobretudo quando o clima global começa a sentir os efeito dos maus tratos ao meio ambiente. Brevemente, a abundância de água na Amazônia começará a despertar cobiça. Um vice-presidente dos EUA, interessado em ecologia, já afirmou que não sabia o que o Brasil iria fazer com tanta água. Tudo isso, porém, não significa que a nossa democracia tenha de existir por permissão das força armadas. Do modo como ela, a democracia, foi organizada aqui, tendo os EUA como modelo, não foi o melhor dos mundos. Mas esse modelo pode ser melhorado com a conscientização das camadas mais pobres de nossa terra, e da diminuição do analfabetismo funcional da classe média. As forças armadas devem ser submissas ao poder civil de verdade, e não, como o é hoje, em que o Ministro da Defesa não se sente com moral suficiente para punir um general que manifestou a necessidade de uma intervenção militar no Brasil para dirimir a doença moral existente no congresso e em alguns meios do judiciário. A dor ensina a gemer, e as consequências do erro faz crescer. Tudo isso, infelizmente, se faz necessário para amadurecer um povo culturalmente meio primitivo. Mas que poderá reagir, como reagiram os colonos estadunidenses em sua luta contra a Inglaterra.

    • Luiz Philippe de Orleans e Bragança 5 de outubro de 2017 em 13:11 - Responder

      Oswaldo, tudo bom? Peço licença para esclarecer. Você interpretou errado. Não é que democracia não pode existir apenas com a permissão das forças armadas. O que eu disse é que as forças armadas são protetoras de nossa soberania como nação, e também de nossa democracia. Se não tivermos quem nos proteger, ficamos vulneráveis às forças externas e suas vontades. Foi isso que aconteceu com os EUA em 1812. Abraços e obrigado pelo comentário e leitura.

  31. Naygon Sann Ferreira Santos 5 de outubro de 2017 em 12:34 - Responder

    Um antecedente que aconteceu nos EUA e culminou para a nossa soberania perante Império naquele tempo.

  32. Heber 5 de outubro de 2017 em 20:44 - Responder

    Texto bom, mas analisando o caso histórico citado chego em outras conclusões. O Exército de milícias que o autor considerou ineficaz foi o mesmo que derrotou e expulsou os red coats na guerra de independência. A diferença é que Exércitos não profissionais podem ser eficazes combatendo no seu próprio território mas fracassam em tentativas de invasão. Vários exemplos podem ser citados de exércitos não profissionais que tiveram sucesso, ( guararapes, Suíça, EUA na independência) mas todos combatendo no próprio território. Já países que procuram sempre justificativas para interferir em outros países, sempre procuram manter tropas profissionais prontas e com capacidade expedicionária.
    Mas estranho ainda foi relacionar o caso com a independência do Brasil, que foi garantida por tropas não profissionais e mercenarios contratados por D Pedro. De toda forma concordo com a ideia geral do autor de manter o padrão das Forças Armadas.

  33. Paulo A Soares 6 de outubro de 2017 em 11:57 - Responder

    Realmente as forças armadas são necessárias para um país, sem os devidos excessos das grandes potencias atuais ou da Coreia do Norte. Todavia, não podemos “misturar” esta necessidade com nacionalismo e com excesso de centralização do governo, pois, a atual crise Brasileira só existe em função de um “projeto de país” centralizador e, por isso mesmo, corrupto. Tenho que reconhecer que foi no período dos militares que o Brasil teve algum tipo de planejamento de longo prazo, isto é, Políticas de Estado e não do governo de plantão.

  34. Roger Silva 6 de outubro de 2017 em 15:10 - Responder

    Nosso país parecia ter um futuro tão brilhante, quem sabe, hoje, fossemos uma potencia mundial ao lado dos Estados Unidos, hoje nos pareamos com Venezuela e todos os outros países que representam o atraso mundial. Pena!

  35. Luiz Henrique Mello (Lou) 10 de outubro de 2017 em 14:25 - Responder

    Excelente!
    Ok, publicado no meu blog e nos meus perfis nas minhas mídias sociais

  36. antonio barbosa 10 de outubro de 2017 em 17:17 - Responder

    Não podemos esquecer que nossa origem vem dos portugueses que colonizaram nossa nação e a tornaram um lugar para todos os cidadãos do mundo. Não podemos esquecer que temos uma história rica de heróis que lutaram para unificar nossa pátria e creiam, estes heróis não foram e não são comunistas. Nossa bandeira é verde/amarela/azul e branca e jamais será vermelha, se Deus quiser. Mas hoje infelizmente vivemos tempos de insegurança e indefinição. Sequer sabemos se chegaremos até 2018 sem que algum evento de grande vulto nos abalará, seja no campo internacional ou nacional. O General Villas Boas jogou a toalha numa sessão no Senado dizendo que as FFAA nada irão fazer para terminar com esta zona em que o Brasil vive hoje e pior, disse que as fronteiras são impossíveis de serem patrulhadas e que irão continuar entrando armas, drogas e tráfico humano. Hoje os verdadeiros heróis são as PMs do Brasil que lutam diuturnamente contra bandidos com armamento pesado das FFAA e eles apenas com revolveres e tendo ainda por cima o “Direito dos Manos” a favor dos bandidos. A guerra está sendo travada nas cidades contra facções como PCC, CV, SDC, FN. O Rio de Janeiro que já foi chamado de cidade maravilhosa, hoje é uma cidade sitiada por bandidos e todos os dias por volta de 2000 mil crianças ficam sem aula por causa de tiroteio entre policiais e traficantes. O que vemos todos os dias é corrupção, morte, operações da PF, jovens sendo aliciados, juízes soltando bandidos a torto e a direito, invasões de todo tipo e nada, absolutamente nenhuma palavra de quem governou este país por 20 anos e o elevou a 8ª economia do mundo. Por quê? Qual o motivo deste silêncio? Não desejamos enxovalhar toda organização das Forças Armadas do Brasil, mas que algo está estranho, ah lá isto está e muito estranho. “Há algo de sombrio sob o céu do Brasil”.

  37. Marcelo Cardoso 11 de outubro de 2017 em 09:53 - Responder

    Muito bom! Caro Felipe, seria dificil citar as referências para quem gostaria de se aprofundar mais no assunto? Abs

  38. Ana Silva 11 de outubro de 2017 em 10:49 - Responder

    Expandindo nossos horizontes! Compartilhado!

  39. Jairo Jose Moreira 12 de outubro de 2017 em 12:22 - Responder

    Muito bom o artigo eu não conhecia esse fato da historia. E necessário que a população leia.Observa-se um percentual de aproximadamente 80% aqui do Brasil não leia pelo menos um livro /ano.Temos que divulgar com mais destaques os benefícios que o imperador D.Pedro II deixou para o Brasil.Atualmente os ratos do governo não tem essa capacidade que D.Pedro II .

  40. Samuel Dutra 12 de outubro de 2017 em 17:35 - Responder

    Incrível essa matéria. Faz muito tempo que não leio nada com tanta qualidade! Não é um texto cansativo e cheio de detalhes e ainda assim extremamente informativo.

  41. José Carlos Donegá 14 de outubro de 2017 em 01:24 - Responder

    Um grande privilégio beber nas águas cristalina de tão nobre conhecimento e podermos revisitar a nossa história. Interessante notar que o itinerário de nossos destinos ficou sob égide e a guarda de Portugal , que tão honrosamente, foi cedendo na linha tempo a um sentimento maior que nos uniu através do poder temporal e o poder espiritual, mui bem resguardada nos mistérios da Serra de Sintra. Conhecer o passado, nos dá força para para trabalhar consciente no presente, para construirmos um futuro melhor.

    Não somos gigantes pela própria natureza por acaso, mas sim, pela causalidade da lei suprema, acredito que somos uma nação a quem nos foi confiada a ser o berço de uma nova civilização. As características de nossa cultura já nos dá conta que está sendo formadas as novas raças através de uma nova árvore genealógica. O plano é desenvolvido Infante Henrique de Sagres e cuja missão é confiada Pedro Alvares Cabral, cujo o simbolo de seu brasão merece uma pesquisa. Não faltam registros históricas que norteavam tais missões sobre o novo mundo, o é nas palavras do sociólogo mexicano José Vasconcelos que já dizia: ” É dentre as bacias do Amazonas e do Prata que sairá raça cósmica realizadora da concórdia universal, por ser filha das dores e das esperanças de toda Humanidade”. Acredito e confio nessa missão honrosa, e tenho procurado entender melhor a nossa história. Um passa mais a frente, o que encontramos.
    A República dá sinais que ainda dorme no berço de sua proclamação nas palavras de Rui Barbosa quando lhe perguntaram: “O que há de inevitavelmente ruim na forma republicana de governo?
    Resposta: O mal grandíssimo e irremediável das instituições republicanas consiste em deixar exposto à ilimitada concorrência das ambições menos dignas o primeiro lugar do Estado e, desta sorte, o condenar a ser ocupado, em regra, pela mediocridade.”
    A mediocridade está nas diversas mídia , nem a Suprema Corte escapa , pelo uso da retórica cria uma blindagem para não ter inimigos. Talvez tenham -lá seus motivos, seja pelos interesses, seja pela insegurança, como costuam dizer, evite andar de avião.
    Acredito nos ciclos, e estamos esgotando um de 32 anos com a falência da tal “redemocratização” . A ” República dos Senadores” está bem viva e continuam a afrontar a Constituição, a Nação e o próprio ao STF. Estão sobre a pressão dos jovens procuradores e juízes – que já representam a que vieram-, a Lava Jato, está ensinado a nós e ao mundo, que o Brasil têm suas mazelas, mas têm acima de tudo uma missão, não acredito que estamos desamparado, a nossa história nos revela isso. Portanto, há sim uma esperança, a nação precisa de todos nós, e para isso vale lembrar as palavras de Martin Luther King. : “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons”.

  42. Wagner José Vicente 14 de outubro de 2017 em 09:21 - Responder

    Prezados, Bom dia! Cumprimentos ao Autor pela excelência da exposição. Os impérios da Antiguidade e, evidentemente o inglês (“aquele em que o Sol nunca se põe”), pela contemporaneidade, foram marcos históricos por serem IMPÉRIOS… Caracterizavam-se eles por doses proporcionais de FORÇA (“ULTIMA RATIO REGIS”) e DIPLOMACIA. Modernamente, a mistura de ideologia com tecnologia possibilita a que o DOMÍNIO TOTAL seja praticada à distância e com mais precisão do que com o emprego da FORÇA e DIPLOMACIA. O Brasil perdeu o bonde da História, quando, por exemplo, anuiu em reunir, num só comando chefiado por um “civil”, os três Ministérios Militares, decisão diametralmente oposta aos objetivos das do Primeiro Império que criou a Marinha de Guerra..-

  43. Paulo sperandio 14 de outubro de 2017 em 14:11 - Responder

    Prezado Luis Fhillipe de Orleans e Bragança, outrora os inimigos eram outros, eram alem fronteiras, hoje são nossos vizinhos, nossos parentes, ou outros de nossa proximidade, o país está de uma maneira que eu nunca sonhei que um dia poderia estar… a guerra entre países,
    o inimigo é definido, entre fronteiras é uma guerra fratricida de difícil fim…

  44. Paulo sperandio 14 de outubro de 2017 em 14:12 - Responder

    Prezado Luis Fhillipe de Orleans e Bragança, outrora os inimigos eram outros, eram alem fronteiras, hoje são nossos vizinhos, nossos parentes, ou outros de nossa proximidade, o país está de uma maneira que eu nunca sonhei que um dia poderia estar… a guerra entre países,
    o inimigo é definido, entre fronteiras é uma guerra fratricida de difícil fim…

  45. Ricardo Melhem Abdo 14 de outubro de 2017 em 20:44 - Responder

    Matéria muito bem desenvolvida e conclusão até certo ponto óbvia pelos últimos acontecimentos internos!!!
    Não temos mais unidade e a descentralização não deu certo!!!
    Precisamos das Forças Armadas para colocarem Ordem e Progresso novamente e, minha opinião, devolver o Brasil à Família Real com um pedido de desculpas!!!!!

  46. Carlos Renato 16 de outubro de 2017 em 15:34 - Responder

    Olá, parabéns pela aula.
    Mas fiquei com uma dúvida:
    A independência do Brasil não foi comprada? Não tivemos que indenizar a Inglaterra?
    Então além de organização bélica tivemos que pagar e pagar caro pela independência e soberania do Brasil.

  47. Emanoel 17 de outubro de 2017 em 22:53 - Responder

    Comparação desonesta: os estados unidos um país rico e livre com o Brasil: um país escravocrata, pobre e que não tinha nenhuma indústria. O Brasil nessa época não tinha nenhuma soberania tinha uma grande dependência com a Inglaterra. Me mostre um país que tenha se tornado uma nação rica e desenvolvida com base no trabalho escravo. Não existe.

  48. Emanoel 17 de outubro de 2017 em 23:04 - Responder

    E mesmo o Brasil fez um empréstimo com a Inglaterra para que a droga de Portugal reconhecesse a independencia do Brasil, nesse acordo o Brasil pagou dois milhões de libras esterlinas a Portugal que repassou o dinheiro para a Inglaterra, tínhamos um exército bem formado? Nao, o pouco investimento era para a marinha, pra proteger o imperador. Acabamos com a escravidao? Não, o rio de janeiro era o maior porto de escravos da América. O estados unidos ao contrário adquiriram sua própria independência atravéz da luta, aboliram a escravidão e Abraham Lincoln impediu que a escravidão se espalhasse pelos outros estados
    Eu não tenho orgulho do império imposto a força baseado no trabalho escravo aqui no Brasil.

  49. Luis Galbiatti 18 de outubro de 2017 em 05:58 - Responder

    O Brasil aprendeu mesmo a lição? O Brasil se preparou para defende a sua soberania? Um exemplo: A dificuldade em vencer a Guerra do Paraguai serviu para mostrar que o Brasil nunca esteve preparado para nada como não está hoje quando vemos nosso país sendo achincalhado lá fora,graças a um governo de esquerdopatas canalhas que tirou o pouco de moral que nossas Forças Armadas tinham,sempre com aquela conversa mole e mentirosa de “ditadura” e com isso tiraram dos jovens oficias e generais o pouco de brio que tinham.Os americanos nunca se conformaram e serem dominados por ninguém,já o Brasil…..

  50. Robinson Ribeiro Chaguri 21 de outubro de 2017 em 09:54 - Responder

    Realmente uma grande lição de como conduzir a construção e o desenvolvimento de uma nação.
    Infelizmente o Brasil de hoje possui um problema muito sério. Ao meu entender o inimigo é interno. Acredito em uma conspiração para destruir nosso exército, pautada no Foro de São Paulo, como bem definiu o general Mourão, uma diplomacia paralela. Esse grupo quer produzir uma dominação socialista na América latina criando algo parecido com o que foi a União Soviética. Mesmo partidos e grupos políticos que não fazem parte desta tal ” diplomacia” cooperam para sua implementação. Caso do atual presidente com a carta que cria a UNASUL e o principal partido chamado de oposição, o PSDB que no período do governo Fernando Henrique Cardoso promoveu um discreto mas contundente aumento tributário e mudanças no sistema educacional para que se viabilizasse o atual sistema de baixo aprendizado e a inserção do marxismo cultural nos meios de ensino. A política de não correção salarial do mesmo governo gerou o enfraquecimento dos salários da sociedade em geral e os baixos salários ficaram menos atraentes àqueles que quisessem ingressar nas escolas de oficiais das forças armadas.
    Outro partido que não faz parte do foro de São Paulo o PSOL tem uma ação que apoia publicamente governos ditatoriais socialistas como o de Maduro na Venezuela e se incumbe da difusão da perversidade ou pluralidade sexual a fim de promover instabilidade no seio familiar e produzir indivíduos dissociados de sua hereditariedade, mais vinculados a culturas geradas por apelos nos meios de comunicação compatíveis com a agenda de dominação, transformando os cidadãos em indivíduos mais fáceis de serem manipulados.

  51. Denny William 22 de outubro de 2017 em 16:50 - Responder

    Viva a República! O Brasil precisa de mais democracia e mais transparência!

  52. Romeu Ferreira Guimarães 23 de outubro de 2017 em 15:35 - Responder

    É a primeira Vez que leio um artigo seu, mas gostei. Tem tudo a ver. O Brasil carece de patriotas com censo do dever e responsabilidade para com os brasileiros. Aguardo pelo dia em que verei um Brasil forte composto por brasileiros honestos e honrados.

  53. Adriana 24 de outubro de 2017 em 13:34 - Responder

    Nossa soberania não é prioridade de muitos que estão no poder. Nossa bandeira não é referência para muitos brasileiros que flertam com o bolivarismo. Gostei muito do texto e agradeço profundamente o acesso a partes da história que são suprimidas do ensino regular. Depois de adulta estou aprendendo o que já deveria há muito tempo saber.

  54. KLECIO DE CARVALHO 30 de outubro de 2017 em 17:05 - Responder

    MAAAVILHOSO E MUIO ESCLARECEDOR E SABER A IMPORTÂNCIA DE NOSSA SOBERANIA

  55. Miguel Guerra 31 de outubro de 2017 em 10:39 - Responder

    Ótimo texto. Gostei muito do seu modo de escrever, é de fácil compreensão.

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