Ditadura no Brasil: Estamos mesmo indo rumo a autocracia?

A autocracia é apenas um nome chique para ditadura, e é esse provavelmente o nome que daremos para nossa forma de governo (adeus, democracia!) caso a população não se mobilize. O cenário ficará sombrio se o governo tiver sucesso na aprovação do distritão (clique para saber mais) junto com a criação de um fundo partidário bilionário. Na verdade só termos um fundo bilionário nas mãos de um órgão do Estado para coordenar eleições já desvirtua o que é um partido. Caso essas duas coisas aconteçam, a renovação política que necessitamos ficará seriamente prejudicada. Por que?

Máquina de reeleição: distritão e fundo partidário

A maioria dos deputados federais atuais não teriam chance de se eleger no modelo proposto do distritão, e com isso a aprovação dessa matéria que interessa ao PMDB ficaria comprometida, já que os deputados optariam por manter o péssimo sistema proporcional que temos hoje. Com um fundo partidário que oferece milhões de reais para o partido, entretanto, a coisa muda totalmente de figura. Estima-se que 400 dos 513 deputados federais votarão a favor do distritão essa semana. Com milhões de reais em mídia e em poder de compra de prefeitos e vereadores como cabos eleitorais à disposição, o povo terá uma chance muito limitada para saber quais os novos candidatos para uma possível renovação.

Com essas duas medidas a perpetuação do mesmo grupo torna-se uma possibilidade negativa para nosso sistema político.

Brasil Made in China?

Caso não tenhamos renovação em 2018, o Brasil se classificaria como uma autocracia oligárquica, conforme podemos ver no quadro abaixo. O Brasil acabará se aproximando do modelo adotado na China, onde todo poder fica restrito nas mãos de um grupo relativamente fixo de pessoas. É um modelo ditatorial diferente do adotado na Síria ou Venezuela, por exemplo, que é baseado numa figura central de um só indivíduo. Por se tratar de um sistema, e não de uma pessoa, o modelo chinês se protege melhor pois a mobilização popular contrária torna-se ainda mais difícil.

Os tipos diferentes de ditadura e a definição de autocracia (o que espera o Brasil)
Os tipos diferentes de ditadura e a definição de autocracia (o que espera o Brasil)

China e autocracia no Brasil

Uma das razões que dificultam a mobilização contrária é que pessoas precisam visualizar seu inimigo para poder se indignar e se mobilizar. Em um modelo como o chinês, caso o representante da autocracia oligárquica (talvez um presidente?) cometa erros e seja rejeitado pela população, basta que o grupo dominante corte a cabeça da cobra e substitua por outra de seu agrado que a indignação da população volta ao controle. A Venezuela antes do Chavez era governada por um Pacto Punto Fijo dos grandes partidos que a governavam de 1958 até 1989. No Brasil houve o regime militar de 1964 a 1985. São regimes anonimos que sobrevivem por mais tempo exatamente por seus agentes ficarem longe das vistas públicas.

Na verdade, o Brasil sofre desse mal há mais de 100 anos, conforme explicado em profundidade no meu livro. Mas então qual a diferença agora? Tudo indica que a perversidade e o intento do novo sistema serão piores. Enquanto o Pacto Fijo da Venezuela e o Regime Militar do Brasil eram arranjos oligaquicos voltados a estabilização do sistema politico, ainda que mantendo democracia limitada, os caciques politicos atuais querem somente se proteger de serem presos. Sim, há graus de maldade entre as oligarquias, e a corrupção dos atuais chefes de facções tem se demonstrado as piores de nossa história.

O que você pode fazer para evitar que isso ocorra? Contate seu deputado. Informe-o que você é contra o fundo partidário e que você é contra o distritão, e que você não irá votar nele ou ninguém do partido caso esses mecanismos sejam aprovados. Deixe claro também que você quer o voto distrital puro. O parlamentar precisa saber qual o sistema de preferencia da sociedade. Se facilitar, encaminhe a ele meu artigo sobre o voto distrital puro para explicar o porquê. Essa semana depende de você.

17 comentários em “Ditadura no Brasil: Estamos mesmo indo rumo a autocracia?

  1. William Wagner Guarda 15 de agosto de 2017 em 12:47 - Responder

    Vejo hoje em dia a Monarquia parlamentarista como única opção para promovermos uma ruptura com o sistema político atual que é ineficiente e corrupto.
    Creio que com o Laudêmio totalmente restituído. Poderíamos ter a Família Real cuidando do Cerimonial e bem como assuntos diplomáticos. E bem como promovendo um modelo de exemplo familiar.
    Tecnicamente isto é mais complexo. Mas a grosso modo é isto.
    O Parlamento, precisaria ser melhor pensado. Vejam, legisladores deveriam ter capacidade para legislar. Eu como mero Bacharel em Direito não possuo capacidade técnica para tanto. Fico imaginado então o Tiririca. Então, talvez políticos deveriam ser apenas promotores de ideias mas, as leis, deveriam ser elaboradas por pessoas concursadas e capacitadas.
    Cargos executivos, podem ser exercidos por bons gestores. Mas legislar é para quem tenha nível de Doutoramento.
    Se existisse uma maneira do Exercito apoiar a Monarquia em um período de transição. Para que todos os políticos atuais, sejam proibidos de concorrer e possam com o tempo serem substituídos talvez fosse possível determos o avanço do Socialismo que só traz ao povo miséria e opressão. Não existe liberdade neste sistema. E são incapazes de promover a geração de riqueza.
    Logicamente estou me expressando de forma muito simplista. Mas, é certo que a Monarquia Parlamentarista seria a forma menos traumática para botarmos ordem na casa.
    Nossa Monarquia foi derrubada por questão de modismo, mas até onde sei era bastante progressista.
    Gostaria muito de apoiar a Família Real.

    • Itamar Esteves 16 de agosto de 2017 em 15:21 - Responder

      William Wagner Guarda, boa tarde. Eu concordo plenamente com a sua postura e concordo também que sem a participação das FFAA, nós não conseguiremos fazer uma faxina no Congresso Nacional, nós colocamos lixo demais naquelas duas casas. O Judiciário brasileiro também já é bastante questionável.

    • Felipi Fernandes 17 de setembro de 2017 em 19:29 - Responder

      Meu caro, gostei muito do seu comentário. Se puderes me adicionar no Facebook eu agradeço.
      felipi.fernandes.9@facebook.com
      Até,
      Felipi Fernandes.

  2. Tales 15 de agosto de 2017 em 13:44 - Responder

    Já estamos nessa tal de autocracia, ela está apenas se blindando, só os tolos não enxergam.

    • Eduardo 16 de agosto de 2017 em 15:29 - Responder

      Concordo.

    • paulo 28 de setembro de 2017 em 09:44 - Responder

      Ele afirmou isto no texto, há mais de 100 anos.

  3. Amaury Macário 16 de agosto de 2017 em 05:20 - Responder

    Acredito que tão somente com uma intervenção radical ,poderíamos mudar este sistema ,porque mais de uma geração, já foi perdida, hoje com esse radicalismo obcessivo não chegaríamos à lugar algum, temos uma esquerda organizada e radical e uma direita na procura de um ” salvador da pátria “mas também desorganizada.

  4. Lúcio 20 de agosto de 2017 em 15:01 - Responder

    Apoiado.

  5. José Carlos da Silva Ribeiro 26 de agosto de 2017 em 15:41 - Responder

    Apoiado

  6. Gilberto Wanderley Prisco 31 de agosto de 2017 em 21:43 - Responder

    Indubitavelmente a monarquia parlamentar é o melhor caminho à restauração de uma democracia estável e de progresso.
    No entanto, o grande desafio ainda é convencer massivamente Professores, de uma forma geral, especialmente os universitários, políticos de peso e de credibilidade, jornalistas e profissionais liberais. É necessário traçar uma estratégia mais dinâmica com a militância.

  7. Angelo Tadeu Giusti 1 de setembro de 2017 em 11:12 - Responder

    Eu não vejo no Brasil, ninguém nem partido que possa dar um jeito no Brasil atual.
    Quem comanda o Brasil é a irmandade maçonica infiltrada no Brasil e plantada pela própria monarquia (D Pedro I). E ela cresceu e estendeu seus tentáculos sobre todas as esferas do poder, transformou-se num cancer muito avançado num corpo terminal (o Brasil).
    Dificil acreditar em alguém ou alguma coisa nesse Pais de oportunistas e bandidos. A maior quadrilha de bandidos de um Pais de todo mundo.
    Nosso exército como todas as instituições comandadas pela maçonaria se tornou prostituta servil.
    Aqui só uma guerra a francesa, que chegara assim que a semente da fome e miséria germinarem. Porque os golpistas atuais que tudo fizeram para chegar ao poder, também sofreram os efeitos colaterais dos seus atos de traição. Aqui não existem ganhadores, Somos todos perdedores.
    Quanto a apoiar sua causa contra o Distritão pode contar comigo, assim como em tudo o que for benéfico para o Brasil e sua soberania.

    • Rafael 14 de setembro de 2017 em 18:14 - Responder

      Fala besteira não. A Maçonaria não tem mais força política. Parem de pensar em teorias da conspiração. O problema do Brasil vai muito além disso… Tenho que rir

  8. Marcelo Gazzoli 1 de setembro de 2017 em 14:42 - Responder

    Já enviei seus artigos que tratam destes temas ao deputado e ao senador que votei e a outros, inckusive de vários estados.
    Não recebi nem um único “Obrigado pela mensagem. Vamos encaminhar para que o congressista leia e respondemos oportunamente”.

  9. prof. Lubas 26 de setembro de 2017 em 08:49 - Responder

    REALMENTE, MEU CARO PRÍNCEPE! JA ESTOU PERCEBENDO ISSO… POUCAS PESSOAS TÊM ESSA PERCEPÇÃO…INFELISMENTE A PASSIVIDADE SE APROFUNDA NO POPULACHO IGNARO DESTE SOLO…INEBRIADOS PELO FUTEBOL E PELA CACHAÇA…

  10. Ailton Ferreira 27 de setembro de 2017 em 22:17 - Responder

    Ditadura já vêm ocorrendo. O governo e estado de Pernambuco acabaram com a minha empresa e ainda mataram a minha mãe idosa incapaz utilizando-se de um conluio entre advogados e defensores públicos promotores e procuradores para não ter nenhuma defesa jurídica. Isso tudo em plena democracia brasileira…… brincadeira Renato Cunha Lima Filho. A ditadura dos corruptos já vêm dominando o país desde 1988.

  11. paulo 28 de setembro de 2017 em 09:49 - Responder

    Acredito que o povo brasileiro em sua imensa maioria, é o povo mais alienado do mundo quando se trata de política, há décadas continua elegendo os mesmos e espera mudanças, não entendeu que o poder para mudanças está nas mãos dos eleitores, mas , política é assunto que não se discute, não é mesmo?

  12. Liliane Carlos 29 de setembro de 2017 em 19:28 - Responder

    Antes de ser uma autocracia a China teve o Mao. Toda revolução socialista tem um líder ou “führer”: Hitler na Alemanha, Lênin na Rússia, Chávez na Venezuela. Este líder deve morrer como Chefe de Estado. No Brasil o líder é Lula, e tudo que você nem imagina será feito para colocá-lo na presidência de novo. Sei que não dá para acreditar nisso, afinal o Lula é réu em tantos processos e etc… Mas acredite, acontecerá, porque a revolução precisa disto para consolidar o socialismo no Brasil. Leia mais sobre o socialismo em http://carlosliliane64.wixsite.com/magiaeseriados

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