As diferenças entre o eleitorado no campo e nos grandes centros urbanos e como isso impacta os votos da direita e da esquerda.
As diferenças entre o eleitorado no campo e nos grandes centros urbanos e como isso impacta os votos da direita e da esquerda.

A maior parte do apoio ao Presidente Donald Trump e à saída do Reino Unido da União Européia, conhecida como Brexit, vem dos eleitores residentes em distritos fora dos grandes centros urbanos. Tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, países desenvolvidos, os centros urbanos têm a preferência por pautas e candidatos progressistas ou globalistas, enquanto as zonas rurais optam por candidatos conservadores.

E no Brasil?

No que concerne o resultado da ultima eleição, se observarmos somente o estado de São Paulo, pudemos comprovar uma repetição desse padrão. Os candidatos do PSL mais votados para mandatos na Câmara dos Deputados obtiveram mais votos fora da cidade de São Paulo, cerca de 70% em média.

Distribuição de votos para presidente em 2018 no estado de São Paulo. Em destaque o candidato vencedor em cada cidade.
Distribuição de votos para presidente em 2018 no estado de São Paulo no 1º turno. A cor em destaque representa o candidato vencedor em cada cidade do estado. Haddad teve mais votos apenas em 18 dos 645 municípios.

E o Jair Bolsonaro? Bolsonaro obteve 12.378.012 votos em todo estado. A cidade de São Paulo depositou, no primeiro turno, 2.835.930 votos em Bolsonaro, ou 23% do total de votos do eleitorado paulista em todo estado.

Distribuição de votos para presidente em 2018 na cidade de São Paulo. Em destaque o candidato vencedor em cada uma das zonas eleitorais.
Distribuição de votos para presidente em 2018 na cidade de São Paulo no 1º turno. Em destaque o candidato vencedor em cada uma das zonas eleitorais.

A cidade de São Paulo depositou em Haddad 32% dos votos obtidos por ele em todo estado. Ou seja, quase 80% dos votos para o Jair Bolsonaro em todo estado de São Paulo vieram de fora da cidade de São Paulo. É praticamente a mesma proporção obtida pelos candidatos a deputado federal.

Comparação entre representatividade de votos da capital de São Paulo em relação a todos os votos depositados em Bolsonaro e Haddad no estado de São Paulo no 1º e 2º turno.
Comparação entre a representatividade dos votos obtidos por cada candidato na capital de São Paulo em relação ao total de votos obtidos por eles em todo o estado de São Paulo no 1º e 2º turno.

Esta análise exclui as outras unidades federativas, o que possivelmente pode alterar a proporção final em uma análise nacional. Por outro lado, como São Paulo representa o maior colégio eleitoral do Brasil e é um estado diversificado entre industria, agronegócio e serviços, achei pertinente isolar o estado para comprovar a tese.

Se leitor aceitar essa limitação, podemos afirmar que o mesmo padrão se repete em 3 continentes diferentes: Europa, América do Sul e América do Norte. Não é o “progressista vs. conservador” mais do que “urbano vs rural”.

O que pode explicar as origens desse padrão:

1- Há muitas alternativas aos valores tradicionais no centro urbano;
2- Há maior intensidade de politicas sociais e exposição da mídia nos centros urbanos;
3- A alta concentração demográfica no centro urbano cria padrão de comportamento coletivista;
4- O cidadão urbano não tem a percepção pessoal da segurança e direito a propriedade;
5- No centro urbano há menos interdependência entre vizinhos e maior dependência de serviços públicos coletivos anônimos

Essa analise é subjetiva. Contribua com sua observação e novos dados nos comentários.

5 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia.
    Na capital há uma grande diferença entre os bairros centrais e a periferia, onde o PT ainda é forte. Também creio que no segundo turno o Bolsonaro tenha perdido alguns votos pelo apoio do Doria, que tem grande rejeição por ter abandonado a prefeitura.

  2. A capital de São Paulo infelizmente não constuma fazer boas escolhas. Se pararmos para pensar, uma cidade que já elegeu: Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy e Fernando Haddad, esse último enquanto candidato a presidência recebeu uma votação expressiva na capital, mesmo após uma passagen desastrosa pela prefeitura. Isso nos sugere que algo está errado na Capital.
    O grande motivo dessas escolhas é que a pauta progressista está focada na Capital de SP. Disfarçada de “cultura” ideais marxistas são dispejados nas universidades, escolas, teatro, e nos famigerados movimentos sociais.

  3. Sempre percebi este evento nas eleições norte-americanas também. Mesmo nos Estados mais conservadores, como, por exemplo, o Sul dos Estados Unidos, além de Utah (comunidades religiosas), as Dakotas do Sul e do Norte e Wyoming (forte agricultura), os democratas obtinham mais votos nas capitais. Creio que o fenômeno exista em virtude da maior percepção do direito de propriedade e, evidentemente, da relação direta com a liberdade (lembrando a lição conservadora que liberdade e propriedade estão intimamente ligados). O direito de defesa da propriedade (até pela sua extensão), se torna, então, fundamental. Quem vive em poucos metros quadrados, dividos com outros milhões de habitantes e cercados por muros, dificilmente se dará conta disso. Aí, outra pauta conservadora fortemente atacada pelos progressistas, o direito de portar uma arma de fogo para defesa.

  4. Também entendo que o interior guarda o sentimento do conservadorismo, em virtude da menor diluição no vínculo entre as pessoas. Nas grandes multidões este vínculo se perde, bem como o sentimento de comunidade, fundamental à identidade conservadora. Uma comunidade autêntica e descentralizada, nada imposta por uma autoridade central e estatal. Creio que foi por este motivo que a Revolução Russa foi tão violenta. No gigante território russo, as comunidades eram descentralizadas e o desenvolvimento industrial e urbano era ínfimo. Assim, o ataque teve de ser físico. Nos aglomerados urbanos, o tipo de revolução parte para o mundo das idéias e dos intelectuais, de onde o progressismo é um resultado. Cito um exemplo: eu vivo em uma cidade do interior de São Paulo, situada na região de Campinas. Esta região é muito próspera e mescla agricultura, indústria, comércio e serviços, contudo, ainda guarda aquele “sentimento do interior” e proporcionou uma vitória expressiva ao candidato que mais se aproxima das idéias conservadoras, o Jair Bolsonaro. O fenômeno que me chamou a atenção foi que em minha cidade existe um Campus de Universidade Pública (UNESP) e a maioria dos votos que o candidato de esquerda obteve, partiram deste público. Evidentemente por todo o histórico de doutrinação marxista, gramsciana e Frankfurtiana. Assim, houve uma divisão muito clara entre conservadores e progressistas.

  5. Moro na zona rural de uma pequena cidade no interiord Minas Gerais. Acho que daqui posso observar melhor esse fenômeno. Realmente quando se volta às cidades maiores os números dos ditos progressistas são maiores, principalmente nas periferias. Em minha cidade por exemplo Jair Bolsonaro obteve uma vitória expressiva e mesmo por aqui nas zonas eleitorais mais periféricas essa vantagem diminuiu ou se perdeu.

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